sexta-feira, 2 de março de 2012

Um aniversário bem Azul



Eu só tinha uma idéia, um nome que não saia da cabeça e uma cor. Tinha também algumas frases aleatórias encontradas web a fora. Misturei tudo numa tigela transparente, com cuidado pra não perder o ponto. Reparei no tom, cheirei a massa, admirei cada ingrediente. Botei pra assar, sem pensar muito. Deu no que deu.
Hoje não é  mais só uma idéia, um nome e uma cor. Hoje é tudo um pedaço de mim, daqueles que não dá mais pra tirar sem causar sérios danos. Hoje as palavras ganharam vida, histórias tomaram forma, inspirações viraram memórias. E eu sou tão feliz por isso.
Tenho na lembrança cada inspiração responsável por cada texto, por menor que seja. Cada pessoa que disse, me disse, me fez contar uma história. E eu agradeço a coda uma, silenciosamente, com um doce e despretencioso beijo na testa, mesmo que elas não saibam. Eu sei, o Sofá sabe. :)
Não é todo dia que se comemora cinco anos de amizade, como eu faço hoje com o meu Sofá. Isso merece comemoração. Das boas. Uma festa! Cheia de palavras convidadas, memórias imaginadas e gente, todo tipo de gente, trazendo todo tipo de história. Isso significa muito trabalho por fazer.
O vestido azul, minha cabeça sem querer escolheu por mim. Agora devo preparar a decoração. O sinal apita, o bolo está pronto. Volto às minhas tarefas. Mas a gente continua se vendo, se encontrando, entre sonhos e memórias, numa esquina da vida, aqui sentados nesse Azul, por mais alguns - bons - anos.

Até sempre. ;)




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amarelos, sorrisos e azuis

Meu sofá não foi sempre azul. Não foi.
Quando tinha, sei lá, uns seis anos ou sete, na sala do grande apartamento tinha um sofá velho. Lembro de ter sido de algum parente não muito próximo, sei lá. Essas coisas que vão passando de um pro outro e por fim das contas ninguém nunca sabe de onde veio. O sofá era amarelo meio vômito, esquisito. Mas minha mãe gostava. Ela tinha alguma memória com aquele sofá, coisa que nunca teve coragem de contar pra mim ou pra minha irmã. Ou pra quem quer que fosse.
Minha mãe sempre foi do tipo caladona, mesmo antes da depressão ter sido oficializada. Mas ela não foi sempre triste, tinha o sorriso mais bonito do mundo pra mim. Eu via as fotos de quando ela era criança, aquelas fotos amareladas com o tempo, feito o velho sofá amarelo vômito, e eu brincava de imaginar as coisas que ela fazia, as artes que aprontava. Minha mãe sempre foi uma mulher linda, apesar das memórias que guarda.
Um dia teimei, quebrei a regra sagrada da sala e num dia tedioso peguei minhas aquarelas, pincéis e guaches e resolvi pintar quadros na sala. Arredei com pouca dificuldade minha mesinha de atividades e me sentei confortável no sofá de histórias da minha mãe. Busquei o potinho d'água para lavar o pincel manchado de azul do céu que desatinei a desenhar. Esfreguei as cerdas no fundo do pote, me diverti com o barulho da água, comecei a rir do pequeno rodamoinho que se formou no copo. Não vi o tempo passar. Assustei com o barulho da porta se abrindo, mamãe voltava do mercado, deixei cair tudo. Tinta, pincel, água azul. Deixei cair tudo no sofá que deixou de ser tâo vômito assim.
Ela ficou em estado de choque por uns dois minutos talvez, mas não gritou, nem um berrinho sequer. Foi para a cozinha deixar as sacolas, voltou com um pano seco e começou a secar a água do chão. Recolheu os potes de tinta e a tela meio pintada, guardou meus pincéis no armário. Tentei me desculpar, com os olhos marejados pela estupidez que tinha feito. Ela não deixou. Levantou a mão direita como quem diz "não precisa dizer nada", e olhou mais alguns instantes para o sofá molhado, agora meio amarelo, meio azul ralo de guache.
Sentou-se no chão e admirou o móvel. Me olhou nos olhos e sorriu. "não é uma linda cor esse azul?". Sorri sem graça e fiz que sim com a cabeça. Ela sorriu seu sorriso mais bonito e me pegou pela mão. "amanhã mesmo mandarei reformar. Que você acha de começar novas memórias num sofá bem azul, que seja alegre como um céu sem nuvens? Já estava mesmo cheia desse amarelo cor de vômito. Parece vômito, não acha?"
Abracei-a sem dizer coisa alguma. E guardei na memória aquele sorriso mais bonito, a minha primeira memória desse sofá de histórias, esse sorriso que sei que ainda existe em algum lugar dentro dela, e que espero voltar a ver algum dia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eu poema - quando Leminski me faz perder a prosa




Sonhei que era um poema do Leminski,
Daqueles curtos, mas expressivos
De palavras escolhidas a dedo e rimas sem obrigação

Sonhei que era um poema do Leminski,
Feito de intensidade e leveza,
Um poema de certezas e vontades

Sonhei que era um poema.
Sempre fui prosa, mas deixei-me levar pela magia
Essa sutil simpatia do Leminski.

Acordei poesia.

 

Para uma -eterna- melhor amiga



Se eu bebesse (e você também), te levava pra tomar uns porres e afogar as mágoas.
Mas eu não bebo, nem você (??), então o jeito é te pegar de papo no telefone, falar besteira até cansar e ouvir tua risada, que vale mais que qualquer dinheiro inesperado encontrado no bolso da calça que tava no fundo da gaveta.
Mesmo em toda ausência eu estou sempre com você, pra você, por você. Pra dividir porres imaginários, altas contas de telefone e tudo mais que houver nessa vida.
Pra sempre existe e a gente fez ele acontecer há muito tempo.

You're still my best friend...

domingo, 22 de janeiro de 2012

 Saudade é um trem. Um trem mesmo. Descarrilado, desenfreado, queimando carvão dentro da gente, enfumaçando a cabeça, num barulho ensurdecedor. Um trem sem pressa de chegar na estação. Mas a gente tem pressa.
Saudade é assim, a gente até dá a mão, mas ela só se contenta com o coração. Inteiro.